João Genaro

BAMBURRÁ | bateia, tinta automotiva | 7cm x 54cm | 2025

Enriquecer inesperadamente, sonho ou devaneio? É no leito do rio que os desejos se convergem. Há quem diga que os rios são entidades vivas, sagradas, dotadas de memória. O rio leva, o rio traz. Leva a roupa suja que escapa das mãos da lavadeira, traz pepita de ouro e diamante, que enriquece o trabalhador. Bateia, objeto icônico de garimpo, dinâmico receptáculo hipnótico do trabalhador que sonha acordado, que deseja enricar – ou que enricou seu algoz carrasco escravizador – ainda hoje é utilizada no garimpo. Atividade que destrói biomas dos povos originários, contaminando suas águas, desmatando suas florestas, desvirtuando suas tradições e ritos milenares. O garimpo ilegal está fortemente ligado a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e armas, a corrupção política, a grilagem de terras, etc. Assim como num cassino, sejam nas burlescas máquinas caça níquel ou na glamourosa roleta de apostas, fichas plásticas se transformam em dinheiro “limpo”. Hoje são as casas de apostas virtuais, que novamente escravizam pessoas, hipnotizadas pelo desejo de enriquecer da noite para o dia, desejo de bamburrar segundo os velhos garimpeiros.